Eram onze da noite de uma sexta-feira e o apartamento estava silencioso demais. Eu tinha terminado o jantar, lavado o prato e me sentado no sofá com o celular na mão, rolando o feed sem prestar atenção em nada. Carlos, quarenta e três anos, divorciado há três, sozinho por escolha própria — era o que eu dizia a mim mesmo. Mas naquela noite o silêncio pesou diferente. Abri o site sem pensar muito, o coração batendo um pouco mais rápido do que eu admitiria.
A foto dela me parou o dedo. Sofia. Morena, pele de mel, olhos puxados que denunciavam a avó japonesa, um sorriso de canto que parecia um segredo. Escrevi, ela respondeu rápido, combinamos o valor, e quarenta minutos depois a campainha tocou.
Ela era mais bonita pessoalmente. Vestido curto, perfume de baunilha, me olhou de cima a baixo com uma calma que me desarmou. "Você parece nervoso", disse, rindo baixinho. "Só um pouco", admiti. Ela me beijou antes que eu pudesse oferecer uma bebida, e o beijo foi lento, molhado, sem pressa nenhuma.
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Levamos para o quarto. Ela tirou o vestido devagar, me deixando olhar, e quando ficou só de calcinha preta eu já estava duro há tempos. Ajoelhei na cama e puxei-a pela cintura, beijando a barriga, os seios, o pescoço. Ela gemia baixo, as mãos no meu cabelo, e quando desci a calcinha e a provei ela arqueou as costas e disse meu nome como se já me conhecesse há anos.
Coloquei a camisinha e a penetrei devagar, sentindo-a me receber quente e apertada. Ela cruzou as pernas nas minhas costas e me puxou para perto. "Assim", sussurrou. "Mais fundo." Obedeci. O ritmo cresceu, a cama rangendo, a pele dela brilhando de suor sob a luz do abajur. Ela gozou primeiro, tremendo, me apertando por dentro, e eu a segui logo depois, com o rosto enterrado no pescoço dela.
Ficamos deitados. Eu devia ter me levantado, oferecido água, pago o combinado. Mas ela virou de lado, apoiou a cabeça no meu peito e perguntou como tinha sido meu dia. E eu contei. Contei do trabalho, do divórcio, da sensação de estar apenas existindo. Ela ouviu sem pressa, os dedos desenhando círculos no meu peito. Depois me beijou de novo, e da segunda vez foi diferente — mais lento, mais atento, como se ela quisesse me conhecer e não só me satisfazer.
Quando o celular dela tocou, quase duas da manhã, ela olhou a tela e suspirou. "Preciso ir." Levantou-se, vestiu-se, e eu me peguei querendo pedir que ficasse. "Posso te ver de novo?", perguntei, e a voz saiu mais vulnerável do que eu pretendia. Ela sorriu, aquele sorriso de canto. "Pode me chamar, Carlos."
A porta fechou. O apartamento voltou ao silêncio, mas era um silêncio diferente. Sentei-me na beira da cama, ainda sentindo o cheiro de baunilha no travesseiro, e percebi que algo dentro de mim tinha se mexido — algo que eu jurava ter perdido no divórcio, enterrado junto com o casamento. Não era só desejo. Era a sensação de ter sido visto, de ter importado para alguém por uma hora e meia. Fiquei ali, olhando o teto, e pela primeira vez em muito tempo não me senti sozinho de verdade.
Na manhã seguinte acordei com o cheiro dela ainda no travesseiro e o celular na mão antes mesmo de abrir os olhos. Hesitei. Um homem de quarenta e três anos não deveria mandar mensagem como um adolescente. Mas mandei. "Bom dia. Dormiu bem?" Ela respondeu em vinte minutos, com um emoji de sol e um "dormi. e você, pensou muito?". Ri sozinho na cozinha, o café esfriando na xícara.
Conversamos a semana toda. Coisas pequenas — o que ela almoçou, um cliente chato, a série que estava vendo. Eu me pegava esperando a notificação, o coração acelerando quando o nome dela aparecia na tela. Na sexta seguinte chamei de novo, e ela veio.
Dessa vez não fomos direto para o quarto. Pedi que jantasse comigo. Ela estranhou, achei que fosse recusar, mas sentou-se à mesa e comeu comigo, contando da mãe japonesa, do pai baiano, da infância dividida entre dois mundos. Eu ouvia e sentia o peito apertar. Quando enfim a levei para a cama, foi diferente — eu beijei cada centímetro dela com uma lentidão que não era só tesão. Ela me puxou pelos cabelos e disse, rindo, que eu estava me apaixonando. Não respondi. Beijei a boca dela para calar a verdade.
Depois, com ela montada em mim, rebolando devagar, os seios balançando sob a luz, eu a segurei pela cintura e gozei com o nome dela na boca. Ela se deitou sobre o meu peito, ofegante, e ficamos assim muito tempo.
Foi quando ela falou. "Carlos, preciso te contar uma coisa." Levantou a cabeça, os olhos puxados sérios. "Eu não faço isso há muito tempo. Esse negócio de site. Você foi o primeiro em quase um ano." Fiquei em silêncio. "Por que eu?", perguntei. Ela deu de ombros, o sorriso de canto voltando. "Não sei. Alguma coisa na sua foto. Você parecia perdido."
Eu ri, sem graça, e senti os olhos arderem. Perdido. Era exatamente isso. "Eu estava", admiti. Ela me beijou a testa, um gesto tão terno que doeu mais do que qualquer coisa que ela pudesse ter dito.
Quando ela foi embora, dessa vez não fiquei olhando o teto. Levantei, lavei os pratos, abri a janela. O apartamento continuava silencioso, mas não era mais o mesmo silêncio de antes. Era um silêncio com espaço dentro, com espera. E eu percebi que já não tinha medo de esperar.
