Nota introdutória
Havia duas semanas que Helena e Davi vinham se encontrando às
escondidas. O que começou naquela madrugada já fazia parte de um
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segredo compartilhado entre os dois. Este é mais um relato dessa história.
A água quente corria sobre os pratos, e Helena deixava que o vapor lhe subisse pelo rosto. Tinha quarenta anos, cabelos ruivos presos num coque desleixado e um vestido de dormir fino que a manhã ainda não tinha substituído. Do outro lado da janela, o carro do marido sumia na esquina — mais um dia de trabalho, mais uma manhã em que a casa ficava só dela.
Ou quase só dela.
Ouviu os passos no corredor antes de ouvir a voz.
— Mãe? Esqueci o caderno.
Ela não se virou. Continuou esfregando o prato com uma calma que não sentia.
— Está na estante do seu quarto, Davi. Não precisa gritar.
O filho entrou na cozinha. Vinte anos, ombros largos, a mochila pendurada num único braço. Mas não foi buscar o caderno. Encostou-se à bancada e ficou olhando para ela — para a curva das costas, para o quadril apoiado no mármore, para o decote que o vapor tinha feito colar na pele.
— Você não foi para a universidade — disse Helena, sem virar a cabeça.
— Não.
— E por quê?
Ele deu um passo. Depois outro. A voz saiu baixa, quase um sussurro.
— Acho que você sabe.
Helena fechou a torneira. O silêncio da cozinha ficou enorme. Ela secou as mãos devagar, com um pano, e só então se virou. Os olhos dele desceram sem pressa pelo corpo dela e voltaram a subir, e o que havia neles não era confusão de menino, era fome de homem.
— Davi — ela começou, mas a palavra morreu na garganta.
Ele estava perto demais. A mão dele subiu até a cintura dela, polegar encontrando a pele entre o tecido e o elástico. Helena sentiu o próprio corpo responder antes da cabeça, um calor que subia pelas pernas e se instalava entre elas.
— Se você me mandar embora — disse ele, a boca perto do ouvido dela — eu vou. É só falar.
Ela não falou. Em vez disso, as mãos dela subiram até o peito dele, dedos fechando-se na camiseta. Puxou-o. A boca dele encontrou a dela com uma urgência que a fez gemer contra os lábios dele, e o pano de prato caiu no chão.
A bancada cortou-lhe as costas quando ele a pressionou contra o mármore. As mãos dele estavam em toda parte — no quadril, na cintura, subindo pelas costas até o fecho do vestido, que cedeu com um puxão. O tecido escorregou pelos ombros e desceu, e os seios dela ficaram livres, pesados, os mamilos endurecidos pelo ar frio e pelo desejo.
Davi baixou a boca. Helena jogou a cabeça para trás e agarrou-se à beirada da pia enquanto a língua dele desenhava círculos lentos, primeiro num mamilo, depois no outro, chupando até ela arfar e apertar as coxas uma contra a outra. As mãos dele desceram, encontraram a barra da calcinha e puxaram.
— A porta — ela conseguiu dizer. — Tranca a porta.
Ele obedeceu em dois passos rápidos, e quando voltou já estava sem a camiseta. Helena olhou para o torso dele, para a linha de pelos que descia até o cós da calça, e sentiu a boca seca. Ele a pegou pela cintura e a sentou na bancada, abrindo-lhe as pernas com os quadris.
O primeiro empurrão arrancou um som dela que não era palavra nenhuma. Ele entrou devagar, depois fundo, e Helena cravou as unhas nos ombros dele, sentindo-se preencher por inteiro. O mármore frio sob as coxas, o corpo quente dele contra o dela, o ritmo que começou lento e logo ficou selvagem.
— Mais — ela pediu, a voz rouca. — Não para.
Davi segurou-a pelos quadris e obedeceu. A cozinha encheu-se do som da pele contra a pele, do murmúrio úmido dos beijos, dos gemidos que Helena já não tentava conter. Ela mordeu o lábio dele, depois o ombro, e ele riu baixo contra a pele do pescoço dela, um som que se transformou num gemido quando ela apertou as pernas em volta da cintura dele e o puxou mais para dentro.
O ritmo quebrou-se. Ele a deitou de costas na bancada, as mãos dela espalmadas no mármore, e aprofundou o movimento até ela sentir o calor se acumular, denso, no ventre. Helena fechou os olhos e deixou que viesse — em ondas, com um grito abafado contra o próprio braço, os músculos apertando-se em volta dele.
Ele veio logo depois, com um gemido rouco, o corpo tremendo contra o dela. Ficaram assim por um momento, ofegantes, a água da pia ainda pingando no silêncio.
Helena abriu os olhos e olhou para o teto. Depois, lentamente, sorriu.
— Você vai se atrasar para a aula — disse ela.
Davi riu, a testa apoiada na dela.
— Acho que hoje eu falto.
Ela passou os dedos pelo cabelo dele, puxou-o para um beijo lento e mordeu-lhe o lábio inferior.
— Então — disse, a voz ainda baixa — tranca a porta de novo. A louça pode esperar.
Ele trancou a porta de novo, e o clique da fechadura soou mais alto do que deveria na cozinha silenciosa. Quando se virou, Helena ainda estava sentada na bancada, o vestido de dormir caído pela cintura, os cabelos ruivos desfeitos do coque, um fio preso ao canto da boca. Não fez menção de se cobrir. Apenas o observou voltar, e havia algo nos olhos dela que ele nunca tinha visto — uma calma saciada, quase divertida.
— Você está me olhando como se fosse me devorar outra vez — disse Davi, parando entre as pernas dela.
— Talvez eu esteja.
Helena esticou a mão e pousou-a no peito dele, sentindo o coração ainda disparado sob a pele. Depois desceu, devagar, os dedos abertos pelo torso, pelo abdômen, até o cós da calça. Ele prendeu a respiração. Ela sorriu e puxou-o pela cintura até que os quadris dele encostassem nos dela.
— Ainda não acabou — murmurou ela contra a boca dele. — Você faltou à aula por minha causa. O mínimo que posso fazer é aproveitar o dia.
O beijo começou lento, quase preguiçoso, mas o corpo dele já respondia outra vez, e Helena sentiu isso contra a coxa. Ela o empurrou para trás, deslizou da bancada e ficou de pé diante dele, nua da cintura para cima, o vestido caindo em torno dos pés. Davi tentou tocá-la, mas ela afastou as mãos dele com um sorriso.
— Agora é a minha vez.
Helena ajoelhou-se no chão frio da cozinha e desabotoou a calça dele sem pressa, os olhos fixos nos dele. Quando o libertou, inclinou-se e tomou-o na boca, e o gemido que Davi soltou foi quase um soluço. Ele apoiou-se na bancada, os dedos brancos de tanto apertar o mármore, enquanto a língua dela o envolvia num ritmo que ora era lento, ora era fundo, e ele não sabia onde se segurar.
— Helena — escapou-lhe, e ela parou por um instante, os lábios ainda encostados nele, e riu baixo, um som quente que ele sentiu na espinha.
— Nunca me chamou pelo nome — disse ela. — Gostei.
Levantou-se, tomou-o pela mão e conduziu-o até a mesa pequena junto à janela, onde as duas cadeiras de madeira ainda estavam encostadas do café da manhã. Afastou uma delas com o pé, curvou-se sobre a mesa e olhou por cima do ombro.
— Aqui. Agora.
Ele a tomou por trás, uma mão na cintura dela e outra entrelaçada nos dedos dela sobre a madeira. A mesa rangeu sob o peso dos dois, e Helena mordeu o próprio braço para abafar o som quando ele começou a mover-se, fundo e sem pressa desta vez, como se tivessem o dia inteiro. E tinham.
O sol subiu pela janela e atravessou a cozinha, dourado, e o corpo dela brilhava de suor. Ele inclinou-se sobre as costas dela, beijou-lhe a nuca, o ombro, e sussurrou algo que ela não entendeu, mas que a fez apertar os dedos nos dele.
Quando veio pela segunda vez, Helena sentiu as pernas falharem e teria escorregado se ele não a segurasse. Ficaram assim, ofegantes, a mesa ainda balançando de leve, até que Davi a envolveu pela cintura e a puxou contra o peito, o rosto escondido nos cabelos ruivos dela.
— Ainda temos a louça — disse ele, por fim, a voz rouca contra a orelha dela.
Helena riu, virou-se nos braços dele e beijou-o de leve, quase casto.
— Deixa a louça. Vamos para o meu quarto, que a cama é mais confortável — e fechou a porta atrás de si, deixando a cozinha em desordem, o sol e o vapor, e os pratos esquecidos na pia.
O quarto ainda estava na penumbra das cortinas fechadas, e o cheiro do perfume dela impregnava o ar. Helena empurrou a porta com o quadril e puxou Davi pela mão para dentro, e assim que a porta se fechou ela o beijou de novo — sem a urgência da cozinha agora, mas com uma lentidão que era quase pior, a língua dela deslizando contra a dele como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Tira o resto — disse ela contra a boca dele, e recuou até a cama, sentando-se na beirada do colchão.
Davi obedeceu. A calça desceu pelos quadris, o tecido amassado no chão junto ao vestido dela, e quando se aproximou Helena estendeu as mãos e o puxou para si, abrindo as pernas para que ele ficasse entre elas. Ela o beijou no ventre, depois mais abaixo, e ele sentiu o corpo inteiro se contrair quando a boca dela o encontrou outra vez.
— Deita — ordenou ela, a voz baixa, e ele obedeceu, estendendo-se na cama enquanto Helena subia sobre ele, os cabelos ruivos caindo como uma cortina em torno do rosto dele. Ela o beijou, o queixo, a boca, os olhos fechados, e depois ergueu-se sobre os quadris e o tomou dentro de si, devagar, um centímetro de cada vez, até que ele gemeu e as mãos dele fecharam-se nos quadris dela.
Helena começou a mover-se. Lenta no começo, os olhos semicerrados, as mãos apoiadas no peito dele — depois mais rápida, o corpo arqueando-se, os seios balançando com o movimento, e Davi não conseguia desviar os olhos dela. Passou as mãos pela cintura, subiu pelo abdômen até os seios, e ela cobriu as mãos dele com as suas, apertando.
— Assim — murmurou ela. — Não para.
O ritmo cresceu até ficar desesperado. A cama batia contra a parede, e Helena inclinou-se sobre ele, os lábios encostados na orelha dele, o hálito quente e irregular, e ele a segurou pelos quadris e começou a empurrar de baixo para cima, encontrando o ritmo dela, e o som que ela soltou foi um gemido longo e quebrado que ele sentiu na garganta.
Ela veio primeiro, o corpo apertando-se em volta dele, os dedos cravados nos ombros dele, e ele veio logo depois, com um gemido abafado contra o pescoço dela, os quadris erguendo-se uma última vez.
Ficaram assim, ela deitada sobre o peito dele, o suor esfriando na pele, o coração dele ainda batendo forte sob a orelha dela. Helena desenhou um círculo lento no peito dele com a ponta do dedo.
— Eu devia estar na aula — disse Davi, por fim, a voz rouca.
— Devia — concordou ela, sem se mexer.
— Amanhã eu volto.
Helena ergueu a cabeça e olhou para ele, e o sorriso que lhe atravessou o rosto era lento e perigoso.
— Amanhã — disse ela — você pensa nisso amanhã.
E puxou o lençol sobre os dois, e a casa ficou em silêncio, e lá embaixo, na cozinha, a água ainda pingava na pia.
