Mano! Como foi muito boa aquela noite. Só eu, o único macho alfa daquela parada inteira. Voando baixo naquela tarde, mesmo morrendo de medo, derrotei uns 5 manés supostamente mais fortes do que eu. Dois deles, os amiguinhos do meu rival final. Os caras tinham o quê pra fazer frente à mim? Mais... músculos de tia gorda? Vish! Os coitados de 1,90 m de altura paravam, me encaravam... olhavam meu 1,80 m de altura e pensavam que eu tinha 3,60! Sabem como é né... os estereótipos, as falsas expectativas, a burrice coletiva... Eu era um alien. Não era preto, tampouco branco. Falava português! Imagina só que estranha rivalidade Argentina-Brasil que se desenvolvia naquelas ruas.
E eu lá, com meu "inútil" Civic, comendo o cano de todos eles. Só para deixá-los atrás de mim... no último instante hehehe. Eu sei, parece linguajar de mané chato querendo ser bonzinho demais com piadas sexuais ruins. Mas, foi o que realmente aconteceu. Como eu conseguia vencer eles no nível mais básico e rudimentar de pilotagem? Aquele pessoal tinha grana para ter carros bem caros. E a competição era acirrada, não se engane pela aparência dos carros. Porsche Boxster foguete, Dodge Polara musculoso, Fiat Elba falsamente inocente e até um Toyota Celica vitaminado!! O único marmanjo meia-boca do qual consegui fazer uma micro amizade, por eu amar carros japoneses incondicionalmente. O outro meio que veio por livre associação. Mas, é claro, que o melhor da noite ficou para o "beta" que me encarou mal.
Um trouxa que certamente adorava ser o cachorrinho da namorada, que fingia ser malvado com os outros só para tentar atiçar a curiosidade da puta sem valor. e qual o problema disso? Nenhum. O problema foi ela querer se meter no meio daquilo. Você sabem que mulheres são campeãs em serem usadas como "troféus", o que demonstra o pouco valor que tem na sociedade. Se for sair com sua namorada onde outros rapazes possam tentar algo pra cima dela, deixe o teste rolar e abandone-a imediatamente caso tudo ocorra bem. Assim, ao menos vai sobrar mais grana no seu bolso pra você gastar consigo mesmo. A coitadinha não sabe, mas vai terminar emocionalmente destruída enquanto tenta parasitar o máximo de homens o possível. Foi assim que me livrei de aborrecimentos com minha primeira namorada, antes mesmo de qualquer merda acontecer. Se elas podem soltar a buceta por aí, minha rola também está a solta.
Claro que não iria explicar essa dinâmica para a dupla de idiotas que chegou naquele Golf ridículo que se posicionou na outra faixa da estrada. Era uma estradinha linda, num bairro rico, poucas casas, diversos decks para observação e uma leve escuridão que seguia para o interior da província. Adorei o sorriso de idiotas que me deram, achando que eu não sabia da potência mínima que usavam nas ruas. Desceram os dois, a bonequinha putinha e o cavalão burro. Não sei de qual deles eu senti mais pena. Claro que eu tinha os meus limites (meu carro tinha metade de potência deles e não venceria nas retas longas), mas sabia fazer os outros arriscarem absolutamente tudo numa só tacada. Deixe que eu traduzo a conversa que tivemos.
- Pronto para perder? - esbravejou Montoya.
- Considerando que bati nesses 4 inúteis que também vieram apreciar mais uma corrida... - provoquei ele.
- A mim você não tem a menor chance.
- Claro, só saiba que fiz o básico de krav magá, então... não quero usar golpes sujos. Mas, se você não der espaço pra mim... não sei... não faz diferença né, estou na sua casa e você quer agradar essa gente inútil de toda forma...
Eu adorava fazer o papel de uma mocinha burra. Aprendi a pegar no ego masculino e triturá-lo como as gurias fazem. É a porra do ocidente afinal de contas. Se fosse um asiático, eu mudava a postura.
- Abre a boca mais uma vez! - agora ele quase veio para a porrada.
- Opa! - apenas puxei uma faca para ele. - Rexale! Eu só quero que você tenha a mínima chance de dar alguma satisfação aos seus amiguinhos corredores.
Vi que a situação não havia mudado muito, então apelei. Ele parou por um segundo.
- Te dou uma curva de vantagem. Pode sair na frente. Seu coelho na prática é uma tartaruga. Eu te alcanço sem nem suar a camisa. Você tem que fugir de mim. É por sua vida, não pela minha. Vejamos... se eu me manter colado no seu para-choque, você perde. Se eu ainda estiver meio carro atrás de você, você perde. A um carro de distância você vence. Está no seu território, então tem a vantagem inicial.
- Adoraria arrancar sua pele, fracote! Tem algum dinheiro com você?
- Só no Brasil. No meu carro, só pra comida e gasolina. Se quiser arrancar alguma coisa na violência, tem que passar por essa faca e minha habilidade de sobrevivência primeiro.
- Então quero sua asa traseira e esse dinheiro. Vão ser um belo troféu dessa noite.
- Combinado. Mas lembre-se, foi você que aceitou essa vantagem.
- Não aceitei vantagem nenhuma. Gosto de encarar meus inimigos de perto. Não largo antes de você.
- Acredite, vai precisar dessa vantagem pra sua tração dianteira. O peso do seu carro é o problema. E o seu peso também.
Entramos nos carros, um dos malucos amigos deles deu a largada e lá fomos para uma longa sequência de curvas. Propositalmente fingi uma largada, mostrei um belo dedo do meio para a namorada dele e soltei o acelerador no começo da reta. Deixei ele passar. O jeito dele pilotar até que não era ruim, mas ainda sim cometia falhas amadoras para quem só pensava em potência. O asfalto ruim, não ajudava. Como a primeira parte da corrida foi uma subida, eu pude tirar vantagem da leveza do meu carro, me aproximando de surpresa nele. Nada de truques de Initial-D por aqui, apenas a direção básica de grand touring. Copiando as curvas, acelerando e freando nos mesmos pontos.
Depois de uns 4 minutos conseguia prever as intenções dele, apenas pelo balanço do carro. Agora era a parte da descida, após contornarmos numa residência bem requintada que ficava no topo de um morro. Árvores, arbustos, escuridão, poucas luzes das casas, algumas cercas, muros apenas em portões grandes. Tudo isso passava em alta velocidade. Tudo isso com o risco de cometermos um gravíssimo acidente por besteira. Mas, eu era alguém que gostava disso naturalmente. Estava fazendo minha farra bacana na Argentina, porque duas inúteis me desafiaram nessa loucura. Mulher é assim mesmo, não entendem os sentimentos dos homens. Seres parasitas e sem qualquer valor humano. Mas, elas precisavam ter seus egos e ímpetos de burrice calados em definitivo. Eu morreria nessa empreitada? Claro que não, todo risco era minimamente calculado.
Eu achava que era o momento certo de aplicar uma lição no coitado do Montoya, fiquei ponderando sobre como ele reagiria e sobre como as pessoas o enxergariam dali para frente. Contudo, eu sabia como era a sociedade, por não ter sido o pegador de destaque na escola. Alguns moleques "nasciam" com essa beleza incomum, como eu. Outros eram ensinadas as lábias para que parecessem maduros diante delas. Ao meu nível, era pagar uma prostituta e ser feliz. Sempre assim, sempre o sexo pago. Mas, no fim das contas, a beleza absoluta era o motivo de inveja até mesmo delas. Eu percebi que minha beleza era demais até para as fêmeas admitirem. Os caras como Montoya sempre me invejavam, ainda que eles tivessem alguma vantagem definitiva em músculos, cabelo, cor de pele, cor de olhos, dinheiro de família, oportunidades de subir na vida mais rápido. É por isso que garotas como a namorada dele corriam para ele. É por isso que as garotas da minha adolescência e juventude não aceitavam me namorar.
Não era somente por me considerar, do ponto de vista delas, um chato. Eu não era chato. Parece que as pessoas sempre tiveram uma visão aumentada sobre mim. Uma beleza impossível, um amor impossível? Então que viessem todas as prostitutas do mundo. Jamais colocaria pressão nelas, as únicas que ao menos me aceitavam num acordo e pagamento.
Com isso em mente, percebi que os pneus dele eram semi-slick. Alguém deve ter alertado ele. Mas duvido que tenham feito uma preparação de emergência para me conterem em poucas horas antes do anoitecer. Na verdade, ele estava começando a cambalear com o Golf dele. Montoya não parecia tão confiante quanto eu para achar o limite da aderência na curva. Mesmo com um carro mais leve, meu Civic não ganharia dele devido ao peso do Golf ser maior e ajudar a embalar na descida. Contudo, o cenário vinha lentamente se desenhado ao meu favor. Eu simplesmente decidi acelerar mais um pouco e ultrapassei ele numa curva longa, usando a parte externa. Foi arriscado, um galho prendeu na minha grade, mas não parecia ter acertado o motor. Foquei na pista e sumi dos faróis dele.
Cheguei lá em baixo e mal percebi que longos 10 minutos haviam se passado. Uma subida de 5 minutos e uma descida de 5 minutos. Eu havia vencido e, por alguns segundos de vantagem, ele vinha atrás. Quase bateu numa árvore, mas estava ao menos feliz por saber que ele estava vivo. Essa é a parte da camaradagem que as mulheres jamais entenderão. Queria falar para Montoya tudo que um homem deveria saber para viver a vida plenamente. Aquela vitória só significou que eu sabia dirigir melhor e aproveitar melhor os recursos. Vocês precisavam ver o rostinho do casal quando me encararam. Eu ali, sentado no capô do meu Civic com um galho ereto entre as pernas, contemplando minha existência estranha e atemporal.
Pedi a Montoya que só ele ficasse perto de mim. A namorada reclamou, mas ela obedeceu ao meu pedido.
- Só espero que me escute desta vez.
Peguei o pacote de salgadinho, abri e comecei a comer enquanto conversava.
- Eu sempre fui um medroso, com tudo nessa vida. Porém, Montoya, veja que eu sempre usei esse medo para calcular as coisas dele e decidir como enfrentá-lo. Eu teria poucas chances de sair vivo contra você num combate à mão. Mas, ao redor desses carros... eu sou imbatível. Não me chame para nenhuma festinha, não estou aqui para me divertir dessa forma. Acho que você foi somente o primeiro rival nessa aventura, então me escute e entenda minhas frustrações. Não tenho 20 anos como você deve imaginar, tenho 30! Acho que perdi alguma coisa nesses últimos 15 anos e, sinceramente, não sou mais quem eu imaginava que seria. A vida no Brasil é infinitamente mais triste e desesperadora.
- Que papo de virgem! - ele interrompeu.
- Até ontem eu era.
De repente ele me encarou meio assustado e quase tirando sarro da minha cara.
- Paguei uma para me chupar. Foi só isso. Nem transei. E não compensa espalhar isso para os outros. O sexo para mim, e eu já percebi claramente, é como um ritual secreto da minha vida. Não sei pra que serve, mas, dá pra perceber que as mulheres tem inveja de mim. Se pra homem isso é chato, elas não conseguem competir com minha beleza natural. Pago uma prostituta, mas nunca irei me casar, nem ter filhos. Funciona assim pra mim, bem até demais...
Ele consentiu, certamente a esquecer tudo que eu disse.
- Bem, eu perdi. O que te devo?
- Nada. Foi só pelo meu objetivo de vencer nessa área mesmo.
- Sério? Nada mesmo?
- Olha que eu te cobro um pacote desse salgadinho também, viu? Relaxa, volta pra tua namorada logo. Se uma guria como essa ficasse atrás de mim, seria o fim da minha vida.
- Boa noite, lobo solitário.
- Piloto de jato. Porque meus carros não são foguetes, são jatos para devorar as curvas. Extremamente delicados. Até à vista.
A namorada dele veio de encontro a mim enquanto ele conversava mais alguma coisa com os amigos dele e o resto da turminha. Como sempre fiz questão de ser grosso e ignorar completamente, tal como um nerdão virjola que essas putinhas morriam de desejo e sempre reprimiam o contato real por burrice das más impressões da sociedade (caso algo minimamente gostoso rolasse e a coitadinha se apaixonasse perdidamente, obviamente). É aqui que eu vi a atitude dela como uma merda completa. Acenei para que o Montoya buscasse ela, mas ele parecia preocupado com outra coisa e só nos olhava de longe enquanto batia um papo com a turminha. Nem quis ouvir o que ela me falava, mandei o Montoya sair dali com ela com bastante urgência. Na prática, eu entrei no meu carro e dei no pé o mais rápido possível. Nem quis me comunicar e só parti. Fui de encontro às prostitutas seguras e tranquilas na noite.
Estacionei num motel, entrei com minha convidada e pedi para que ela me fizesse outro boquete. Dessa vez uma morena bonitinha, toda delicada e magra. Tomamos nosso banho, deitamos na cama e ficamos satisfeitos ao longo de uma noite. Dormimos juntos e foi uma noite bem tranquila.
Tranquila até demais, porque, na manhã seguinte, a tal guria loura que eu queria que sumisse da minha vida, apareceu no meu quarto exigindo algumas explicações enquanto eu e a prostituta nos vestíamos rapidamente.
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epílogo
Assim que passei a correr profissionalmente, fiz um tour pelo sul da América. Foi muito duro resistir à tentação e abrir uma oficina mecânica, mas uma garota havia se interessado no modo como eu fazia minha visão de moda. Eu havia conhecido ela da maneira mais estranha possível, mas os toques dela me deram uma oportunidade de expandir meu serviço para a Argentina mesmo. Embora fosse só a parte de entregas e pedidos em site, ela me disse que isso seria a pedra fundamental para ter sucesso por ali. E que acreditava em mim, mesmo com todas as desventuras em série. Mal sabia que ela mudaria meu futuro, para sempre.