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Príncipe - parte 3

Enviado por: sopwith - Categoria: Outras

Eu poderia estar completamente enjoado com o balanço das ondas. Até ficaria tudo bem, se não fosse aquele grupelho mal encarado olhando pra mim. Felizmente haviam poucos carros na balsa e pude ao menos descer do meu Civic para caminhar e conversar um pouco com um funcionário que comandava a travessia. Quis saber onde havia um cartório no porto para regularizar minha chegada. No Mercosul você pode viajar para onde quiser, dentro dos países signatários, apenas com a identidade. Mas, quando se trata de obter seguros e demais coisas do tipo, é melhor tê-las por completo.

Encontrei um banquinho para me sentar e admirar meu carro, justamente no momento em que aquele pessoal buscava conversar comigo. Certamente, um dos babacas devia estar enciumado com tantas vezes que a suposta namorada loura dele olhava para mim. E olha que ela passava um ar gostoso de prostituta, lourinha de cara reta. De olhar sério e direto. De expressão definida e uma voz levemente sensual. Outra paty rica que se tornaria puta. Coitado daquele machola que passou a vida bombando os músculos pra parecer uma tia gorda que vivia com minha família. Um magricelo como eu seria usado de brinquedo sexual para as fantasias dela? Nem morto! A conversa flutuou entre o espanhol, o português e o meio-termo. Vou tentar traduzir para vocês.

- Olá. - disse o rapaz.
- Bom dia. - respondi.
- Aquele é seu carro?
- Sim. Quer correr contra mim?
- Ora, ora! Como se pudesse ganhar do meu Golf...
A conversa começou a entrar num assunto que me interessava e, felizmente, a guria loura chata foi com os amiguinhos dela.
- Então você participa da Turismo Carretera? - perguntei.
- Não. Mas adoro "dar coro" em manés como você.
- Mané? Isso é novidade!
- Está duvidando?
- Não adianta enfiar uma turbina e peças forjadas e rezar para nada quebrar. Correr com carros pra mim, dá muito mais prazer do que fazer sexo, se quer saber.
- Um maricas virgem! Hahahaha.
- Mais maricas se juntam ao exército, berram nas academias, fazem pose de valentões mas não encaram uma guerrinha lá na Ucrânia, na Palestina... pra mim, esse tipo de honra eu trilho pelo caminho feminino. Apenas minha sobrevivência, foda-se o resto.

Um breve silêncio.

- Amiguinho... eu te respeito por você dirigir um carro FF. Não é fácil lidar com a dinâmica de um veículo com toda essa massa no mesmo eixo. Mas, quanto ao seu desafio, acho que você está levando isso por um motivo fútil.
- Como é?
- Se quiser correr comigo, para impressionar a sua... queridinha... sinto muito. Eu não gosto da impressão que ela me passa e nem preciso me preocupar com nada.

Ele me puxou pela gola da camisa. Os punhos fechados, eu sentindo o bafo nojento dele. Sinceramente, não sei como homens aguentam o homossexualismo. Nós homens preocupamos bastante com nossa saúde e aparência, mas ficar colado com outro homem é simplesmente anti-natural no meu ponto de vista. Tive que empurrá-lo pra longe enquanto ele rosnava pra cima de mim.

- Tudo bem, pessoal. Não foi nada. - olhei para a turminha dele, com pena de cada um ali. - Eu aceito correr contra você em qualquer lugar. Mas, já que você parece entusiasmado demais comigo, chame mais dois amigos seus que eu derroto todo mundo. Pode escolher o percurso que quiser, desde que não seja uma arrancada amadora. Eu gosto de curvas.
- Vai ser numa estrada, perto da saída para o mar, tem um posto de combustível por perto.
- Pra mim não vai ser moleza encontrar alguns conhecidos seus por aí. Não se entusiasme quando você ouvir sobre minhas corridas.
- E por acaso eu perderia para você, bichona?
- Bichona? ... Rapaz, eu até curto essas piadas, mas não do jeito que vocês pensam. Aliás, vou começar uma guerrinha com os argentinos. Vocês adoram o Fangio, eu admiro o Senna. Mas, em termos de mecânica vocês estão mais para a Europa enquanto que eu prefiro a Ásia. Se é pra ser uma rivalidade boa, teremos outras merdas para discutirmos mais tarde. Bem, está na hora de dizer um pequeno olá para seus coleguinhas nos Ford, Dodge e Chevrolet.

Terminando aquele papinho nojento, me aliviei quando pude finalmente descer com meu carro e andar pelas ruas da capital Buenos Aires. O lugar era aconchegante e bem mais tranquilo, as pessoas mais generosas e simpáticas do que aquele machola entupido de testosterona e sem vontade de viver a vida. Mas, fui atrás de oficinas de preparação, procurando saber quem estava disposto a correr comigo, só para aquecimento.

Dei muita sorte de todos nós já estarmos de férias no sul da América, então era comum ver manés com seus esportivos caros circulando pelas ruas. A cada encontro em algum posto, algumas corridas marcadas, em estradas sinuosas e até mesmo em volta de avenidas cheias de curvas. Fui mapeando o local, deixei um rádio especial para escutar a polícia (uma espécie de walkie-talkie trambolho que eu fiz) e pegar imagens dos caminhos através da internet.

O que eu consegui criar, em uma só tarde, foi uma coletânea de loucuras nas ruas argentinas. De repente, as redes sociais espalharam algumas fotos do meu carro em alta velocidade, desafiado alguns malucos aqui e ali, até que meu contato chegou rapidamente naquele mesmo maluco da balsa. O nome dele era Haroldo Montoya, um conhecido preparador de Volkswagen da capital. Ali, parado num postinho qualquer, conversando com os zé botinhas das ruas, pude entender quem ele era e como ele pilotava. Um cara veloz, mas que às vezes colocava tudo na raça ao invés de ir se segurando na técnica. Como eu já era um conhecedor e estimador de carros, sei que ele viria com ao menos uns 400 cv na jabiraca dele, seja lá qual fosse. O prato cheio para meu pequeno e pífio Civic que mal tinha uns 250. O segredo estava na minha tocada, não na potência do meu carro.

Fiquei na dúvida se colocava ou não os pneus novos, pois os velhos ainda tinham uma boa quantidade de borracha e, caso fosse necessário, conseguiria mantê-los aquecidos por mais algumas corridas. Claro que um espertalhão como o Montoya adoraria tentar me fritar numa reta, mas escolhi propositalmente encará-lo numa estrada apertada, de pista simples, cheia de curvas. Não, não era nada relacionado ao drifting, mas ele precisava de uma lição em grand touring. Isto é, se ele, diferentemente de todos os idiotas que enfrentei até aquele ponto, quisesse andar pra frente dali pra frente.

O resto do dia foi até bem tranquilo. Apenas esperei a noite chegar enquanto lia alguns quadrinhos da Mafalda numa banca de jornal que havia ali perto. O centro de Buenos Aires era particularmente mais europeu do que todo o resto do Brasil. Infelizmente, não seria uma coleção de velhas cidades ex-colônias alemãs que seriam capazes de andar com a branquelada 300% européia dos argentinos que se misturavam entre descendentes de italianos, espanhóis, alguns ingleses, outros franceses, gregos e por aí vai. Até mesmo os descendentes de muçulmanos (os "árabes" em geral) eram uma maioria absoluta. Como um pardeco como eu iria sobreviver ali? O Brasil estava à algumas províncias de distância, e minha casa a alguns estados mais longe ainda. Só podia confiar nas primeiras estrelas da noite e no brilho do meu pequeno Civic.

Um telefonema quase anônimo, a medíocre voz da namoradinha dele, me encaminhava para um local onde seria a corrida. Fiz questão de trazer alguns malucos das ruas, para me garantir de que não era uma emboscada. E realmente não era, pois a tal estrada se situava num bairro rico. Dava para ver alguns SUVs bem caros estacionados em algumas ruas. Ela até parecia estar curiosa comigo, mas a ligação foi tão rápida que só deu tempo de alertar dois outros malucos, Thomás e Said, com seus carros para irmos até lá. E isso foi apenas o começo de uma longa aventura.

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epílogo 2

Thomás Abruzzo e Said Yosef se lembrariam de mim, nas várias vezes em que visitaria a Argentina. A princípio eles me olharam com desconfiança quando cheguei com meu pequeno jato Honda por lá, mas logo se tornaram fiéis escudeiros nas minhas peripécias automotivas seguintes. Ambos dirigiam sedans Fiat com uma boa dose de preparação, decidiram montar uma oficina com base em algumas dicas valiosíssimas que eu tinha passado. Com base no sucesso deles, cogitei até fechar minha loja de roupas no Brasil e me mudar em definitivo para a Argentina para trabalhar com eles. Aprender o espanhol e ficar por lá mesmo. Contudo, meu objetivo era ter diversos negócios eficientes. Hoje eles tem uma pequena equipe de corrida com um apelido bem estranho, oriundo de uma corrida em que um "mauricinho" quis me enfrentar.

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Ficha do conto
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Por: sopwith
Codigo do conto: 21736
Votos: 0
Categoria: Outras
Publicado em: 03/05/2025

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