Deus de Ébano da Afeição


BY: casauser1412
Saí da escola mais cedo, eram umas oito e meia da noite e estava pensando, há quanto tempo eu não fazia uma coisa que me desse prazer... um bom vinho, um cigarro, ou mesmo sexo – uma boa trepada -... Como duas daquelas pareciam impossíveis pra mim naquele momento resolvi passar num bar da esquina pra comprar um maço de cigarros, guardei o maço no meu bolso, acendi um com um isqueiro emprestado e saí fumando até o ponto de ônibus... Era como se eu visse na fumaça daquele cigarro a solidão e a carência que eu estava sentindo naquele momento, sentia vontade ser beijado, de ser tocado, de ser amado, não importava mais por quem... Enquanto eu ainda estava absorto em meus pensamentos avistei meu ônibus de longe, apaguei o cigarro e dei o sinal para que o ônibus parasse. Entrei no ônibus, apenas um lugar estava vazio, no último banco do ônibus. Sentei-me, guardei o passe na carteira e notei o belo homem que estava ao meu lado, um negro alto com pernas grossas, muito bonito, mas naquele momento eu estava voando junto aos meus pensamentos, nem conseguiria pensar em sexo ou algo do tipo naquele momento, sentei-me de maneira confortável (com as pernas abertas) e fechei os olhos para relaxar. Notei que minha perna estava encostando-se à perna dele, mas não dei muita atenção a esse fato... foi quando o ônibus deu um chacoalhão e eu assustado abri o olho, notei que a perna dele estava levemente (e propositalmente) posta sobre a minha, virei meu rosto e ele parecia estar de olhar perdido para fora do ônibus, sorri, devia ter sido impressão minha, pensei... Uma mulher levantou-se do seu banco solitário a nossa frente e quando eu ia me levantar para sentar naquele banco (pois prefiro ficar a janela) ele seguro meu braço, pedindo com um sorriso angelical: “Fica aqui...” Eu não podia negar... Olhei no fundo dos olhos dele, ele correspondeu ao meu olhar e nos beijamos num quente trocar de salivas, não tínhamos medo se teríamos conhecidos naquele ônibus, nem tínhamos medo algum, simplesmente nos beijamos... Quando abrimos os olhos e nossos lábios se separaram, nós nos olhamos novamente, ele disse “Gosto de caras que fumam...” Eu sorri (ainda estava com o hálito do cigarro), repousei minha cabeça sobre seu ombro, a mão dele segurou a minha e passamos assim o resto da viagem... Até que a certo ponto (uns quinze minutos depois), ele levantou meu rosto e disse que tinha de descer... Olhei nos olhos dele: “Posso ir junto?” Ele fez que sim com a cabeça, me deu um selinho e nos levantamos. Ele puxou a cordinha, o ônibus parou e descemos, todos nos olhavam, mas parecíamos um casal infantil... Parecíamos duas crianças, dois meninos inocentes andando pelas ruas daquela cidade... Andamos dois quarteirões e ele me apontou a sua casa, era uma casa simples, mas muito bonito, com fachada de tijolinhos. Quase não trocamos palavras, mas não soltávamos a mão um do outro... Ele abriu o portão, entramos juntos na casa. O lado de dentro da casa era ainda mais lindo... Ele pediu pra que eu não olhasse a bagunça, casa de solteiro era assim mesmo... Rimos de maneira gostosa como há muito eu não ria... Ele me apresentou ao resto da casa até que chegamos ao cômodo mais gostoso: o quarto. Ele olhou novamente nos meus olhos e me deu um doce, quente e longo beijo, sorriu de maneira sacana e romanticamente deitou-me em sua cama de casal... Sua saliva era mais doce que o mais doce mel e sua pele negra tinha sabor de pecado... Tiramos nossas roupas nos despindo de qualquer preconceito, deitei-o sobre mim, dei-lhe mais um beijo e com minha boca fui descendo pelo seu queixo, pelo seu peito nu, até chegar nas partes mais proibidas e promíscuas de seu corpo... Beijei seu membro como um bebê faminto, seu órgão ereto mostrava-me todo o prazer que ele poderia me proporcionar... Ele puxou-me pelas mãos, membro com membro, boca com boca, olhos nos olhos e corações pulsando no mesmo ritmo de nossas respirações ofegantes... Beijos quentes e carinhos imensos... Repousei meu rosto sobre seu peito, já cansado e dormi... Sexo não houve mas creio que nunca senti tanto prazer quanto naquela noite. Quando acordei, o Sol já raiava dentro do quarto e ele não estava lá... Sobre o criado-mudo estava meu maço de cigarros (agora vazio) e sobre ele um bilhetinho e dois halls, o bilhete dizia: “Saí pra trabalhar. Destruí todos os seus cigarros, eles fariam mal a você... Beijos com carinho de seu Deus de Ébano” Peguei o bilhete e os halls... Guardei-os no meu bolso e fui embora... Até hoje não sei o nome daquele meu doce Deus, mas guardo seu bilhete em meu quarto e sua voz em meu peito até hoje...
                                


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